Sala de aula

Materiais Educativos

arthur cap.png

Olá, cientistas cidadãos. Como vocês já sabem, em nosso projeto trabalhamos principalmente com a Ciência Cidadã, abordagem que apoia o ensino de ciências e está cada vez mais presente em nossa sociedade. Pensando nisso, nós do projeto Ecologia e Saúde desenvolvemos diversos materiais educativos que trabalham com essa temática. Aqui em nossa página encontrarão, entre esses materiais, dois planos de aula que foram desenvolvidos como material complementar e utilizados em um Workshop sobre o programa GLOBE, realizado pela Agência Espacial Brasileira. Esses planos utilizam o protocolo de Mosquitos do aplicativo Globe Observer para apoiar o ensino de arboviroses no ensino fundamental. Através desses protocolos, os alunos serão capazes de coletar dados sobre criadouros e habitats de mosquitos por meio do aplicativo GLOBE Observer,  democratizando a ciência e, de quebra, ainda realizando o controle e prevenção dos mosquitos vetores de doenças nas escolas. 
O programa GLOBE é financiado pela Nasa e gerenciado no Brasil pela Agência Espacial Brasileira (AEB).
Ficou interessado e quer entender melhor como funciona? Confira abaixo:

PLANOS DE AULA
PROTOCOLO GLOBE MOSQUITO

Direitos autorais Agência Espacial Brasileira (AEB)
 

Introdução

         O protocolo Globe Mosquito utilizando o aplicativo Globe Mosquito Habitat Mapper pode ser usado para apoiar o letramento científico de estudantes de Ensino Fundamental, atendendo aos compromissos estabelecidos para a Área de Ciências da Natureza da Base Nacional Comum Curricular (BNCC; Brasil, 2018).

         Além de promover o aprendizado de ciências, a implementação de protocolos de Ciência Cidadã como o GLOBE Hidrologia do Mosquito na sala de aula favorece a compreensão dos processos, práticas e procedimentos de uma pesquisa científica, e apoia o exercício da cidadania. Utilizando os protocolos, os participantes, tanto alunos como professores, constroem coletivamente perguntas e metodologias de pesquisa que respondem a demandas locais, nas escolas, nos bairros, em suas casas. As respostas a essas perguntas levam ao questionamento e propostas de soluções, e fomentam a cooperação entre os participantes na proposição e desenvolvimento de ações para melhoria dos problemas evidenciados (Tabela I). A médio e longo prazo, essas ações têm o potencial de melhorar a qualidade de vida não apenas nos locais de intervenção, mas também em seus entornos (Brasil, 2018).

Tabela I. Aplicação do protocolo Globe Mosquito para o desenvolvimento das competências específicas de Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental da BNCC (Brasil, 2018).

    Competências

2. Compreensão de conceitos, processos, práticas e procedimentos de investigação científica.

8. Exercício da cidadania

3. Realização de perguntas e proposição de soluções a problemas

1. Compreensão das Ciências da Natureza como empreendimento humano

Atividades

Troca de conhecimentos orais / Pesquisa bibliográfica

Formulação de perguntas e procedimentos de pesquisa de modo coletivo / Análise e apresentação de resultados

Formulação de perguntas e procedimentos de pesquisa de modo coletivo

Troca de conhecimentos orais / Pesquisa bibliográfica

Utilização do aplicativo Globe / Pesquisa bibliográfica / Análise e apresentação de resultados

Dinâmicas realizadas ao longo do processo / Aprendizados e aplicação dos resultados

5. Construção de argumentos com base em evidências e fontes confiáveis

Contextualização dos problemas de pesquisa / Pesquisa bibliográfica / Apresentação de resultados da pesquisa

7. Aprendizado sobre o cuidado próprio e respeito à diversidade

Dinâmicas realizadas para definição de problemas de pesquisa, análise e apresentação de resultados

4. Entendimento e contextualização dos desafios do mundo contemporâneo

6. Utilização de distintas linguagens, incluindo tecnologias digitais de informação

          A seguir, preparamos dois planos de aulas para aproximar os alunos da Ciência Cidadã por meio da utilização do protocolo Globe Mosquito no aplicativo Globe Observer (MHM), atendendo a Objetos do Conhecimento e Habilidades da BNCC que devem ser desenvolvidas no Ensino Fundamental, do 6° ao 9° ano, inclusive.

      Os dois planos de aula podem ser desenvolvidos em conjunto ou separadamente, e estão baseados na utilização do ciclo de indagações para facilitação da aprendizagem científica (Arango et al., 2009). O primeiro plano de aula, intitulado “A importância do descarte apropriado no combate a mosquitos vetores de doenças”, é introdutório ao estudo dos mosquitos, e visa aproximar o estudante dos procedimentos para a realização de uma pesquisa científica. Nele, partimos de perguntas mais simples sobre o descarte de materiais nas escolas, nos bairros, e suas implicações para a proliferação de mosquitos, para apoiar o processo coletivo do desenvolvimento de métodos de pesquisa e análise de resultados. O segundo protocolo, intitulado “Pesquisa utilizando armadilhas” utiliza a mesma abordagem, porém propõe o desenvolvimento de pesquisas para identificação de focos de proliferação de mosquitos, para corroborar premissas estabelecidas na proposta anterior, e provocar a construção de propostas para solução de problemas. A utilização de armadilhas contribuirá ainda para que os alunos possam observar, de modo seguro, o ciclo de vida completo de mosquitos vetores de doenças.

         Ambos planos promovem o entendimento do ciclo completo de realização de uma pesquisa científica, desde a indagação e estabelecimento do contexto e problema de estudo, à análise e apresentação de resultados. A Tabela II a seguir mostra, de modo resumido, objetos de conhecimento e habilidades a serem desenvolvidas na área de Ciências, de acordo à BNCC, que podem ser trabalhadas utilizando os planos de aula desenvolvidos. Ainda que a proposta aqui apresentada se origine na área de Ciências, entendemos que é possível utilizar os planos de aula de modo transdisciplinar, apoiando a aquisição de habilidades em outras áreas temáticas, como Matemática, Português, Geografia e outras. Na área de Matemática, por exemplo, os resultados das pesquisas podem favorecer o entendimento de probabilidades e conceitos de estatística descritiva. Já em Português, pode ser trabalhada a interpretação de textos, pesquisa bibliográfica em fontes seguras e escrita científica (estabelecendo interdisciplinaridade com a área de Ciências), entre outros.

Tabela II - Ciências 6-9 ano

Preservação da biodiversidade

Vida e Evolução

6°ano

7°ano

8°ano

9°ano

Vida e Evolução

Célula como unidade de vida

Programas e indicadores de saúde pública

Sistema Sol, Terra e Clima

(EF06CI06) Concluir, com base na análise de ilustrações e/ou modelos (físicos ou digitais), que os organismos são um complexo arranjo de sistemas com diferentes níveis de organização.

(EF07CI08) Avaliar como os impactos provocados por catástrofes naturais ou mudanças nos componentes físicos, biológicos ou sociais de um ecossistema afetam suas populações, podendo ameaçar ou provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração etc.

 

(EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de políticas públicas destinadas à saúde.

(EF07CI11) Analisar historicamente o uso da tecnologia, incluindo a digital, nas diferentes dimensões da vida humana, considerando indicadores ambientais e de qualidade de vida.

(EF08CI15) Identificar as principais variáveis envolvidas na previsão do tempo e simular situações nas quais elas possam ser medidas

(EF08CI16) Discutir iniciativas que contribuam para restabelecer o equilíbrio ambiental a partir da identificação de alterações climáticas regionais e globais provocadas pela intervenção humana.

(EF09CI12) Justificar a importância das unidades de conservação para a preservação da biodiversidade e do patrimônio nacional, considerando os diferentes tipos de unidades (parques, reservas e florestas nacionais), as populações humanas e as atividades a eles relacionados.

(EF09CI13) Propor iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade, com base na análise de ações de consumo consciente e de sustentabilidade bem-sucedidas.

Unidade

temática

Anos

Objeto do conhecimento

Habilidades

Vida e Evolução

Vida e Evolução

O Ciclo de Indagações

          O Ciclo de Indagações é uma ferramenta que faz parte da proposta didático-pedagógica intitulada “Ensino de Ecologia no Pátio da Escola”. Nos planos de aula a seguir, propomos a utilização dessa ferramenta, em conjunto com a utilização do Protocolo Globe Mosquito, para apoiar o ensino de ciências no Ensino Fundamental II.

         A utilização da ferramenta em sala de aula possibilita a compreensão e prática da metodologia científica, de modo a fomentar o letramento científico (Feisinger, 2013). São três as fases do ciclo de indagações, que podem ser desenvolvidas de modos distintos:

 

1) Perguntas; 2) Ação; e 3) Reflexão.

 

    Na fase 1) Perguntas, com o auxílio do professor, e estimulados por suas curiosidades, observações, conhecimentos indiretos e vivências, os alunos desenvolvem perguntas sobre um determinado evento, ou uma problemática. A fase 2) Ação corresponde à coleta e análise de dados para responder à pergunta proposta. Finalmente, é na fase 3) Reflexão, que os alunos analisam e discutem os resultados obtidos, e se propõem a pensar se seus resultados respondem à pergunta feita na fase 1. A partir dessa reflexão, surgem novas ideias de pesquisa, novas inquietações, e novos ciclos de indagações, que podem objetivar responder a pergunta anterior, ou uma nova pergunta que surgir a partir do experimento realizado.

ciclodeindagações.png

Figura 1. Fases do Ciclo de indagações - Perguntar, Responder e Analisar.

         Em uma escola, o ciclo de indagações é uma ferramenta útil para auxiliar o desenvolvimento de projetos em sala de aula, ou como atividade complementar, como um Clube de Ciências. Também é uma ferramenta que pode apoiar a aproximação escola-universidade na construção de respostas conjuntas a problemas da sociedade e troca de conhecimentos sobre o fazer científico, como é também preceito da Ciência Cidadã (Abel et al., 2017). 

        Do ponto de vista metodológico, a facilitação do ciclo de indagações por um professor ou monitor pode ser guiada a participativa, ou livre. Em uma intervenção guiada, o professor geralmente apresenta uma pergunta baseada em um contexto ou conhecimento prévio sobre uma temática, e os alunos desenvolvem metodologias de coleta e análise de dados. O professor atua como mediador do processo, auxiliando o grupo de estudantes quando necessário, estimulando seu interesse em responder à pergunta, analisar as respostas, e propor novas perguntas acerca da problemática estudada. 

         Em uma intervenção mais livre, seja ela parcialmente guiada ou originada inteiramente a partir de indagações dos alunos, o ciclo de indagações se completa com maior participação dos estudantes. Nesse tipo de intervenção, o professor ou monitor, ou os próprios estudantes, sugerem uma temática de estudo. São os alunos que elaboram as perguntas de estudo, métodos de coleta de dados, e análise de resultados. Aqui, os facilitadores, professores ou monitores, atuam como consultores, resolvendo as dúvidas pontuais que surgem, ou propondo abordagens e material para auxiliar no processo.

         O GLOBE é um programa de ciência cidadã e educação que conecta uma rede de estudantes, professores e cientistas de todo o mundo para entender melhor, sustentar e melhorar o ambiente da Terra nas escalas local, regional e global. Possui como objetivo criar conjuntos de dados significativos, padronizados e com qualidade de pesquisa global, que podem ser usados para apoiar pesquisas científicas profissionais e de cientistas cidadãos.

           Os dois planos de aula que propomos pretendem trabalhar os dois tipos de intervenção. No Plano de Aula 1, a partir de uma intervenção guiada, objetivamos fomentar, entre os estudantes, a compreensão da relação entre acúmulo de resíduos sólidos e proliferação de doenças transmitidas por mosquitos vetores, utilizando o protocolo Globe Mosquito e o aplicativo Globe Mosquito Habitat Mapper. Entendemos, a partir de nossas experiências, que o Plano de Aula 1 pode originar diversos ciclos de indagação, que poderão ser trabalhados utilizando o mesmo plano de aula, ou o Plano de Aula 2, em uma intervenção livre. 

Referências:

ABEL, L.D.S., LÓPEZ, M.S., e SOUZA, S.A.C. Utilização do ciclo de indagação em um Clube de Ciências como proposta de integração entre o ensino público escolar e universitário no litoral norte de São Paulo. Rev. Cult. Ext. USP, São Paulo, v. 18, p. 69-80, nov. 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9060.v18i0p69-80

Arango N., M. E. Chaves y P. Feinsinger (2009). Principios y Práctica de la Enseñanza de Ecología en el Patio de la Escuela. Instituto de Ecología y Biodiversidad - Fundación Senda Darwin, Santiago, Chile. 136 pp.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

FEINSINGER, P. Metodologías de investigación en ecología aplicada y básica: cual estoy siguiendo, y por qué?. Revista Chilena de História Natural. 86: 385-402. 2013.

Sala de aula

Plano de aula 1
A importância do descarte apropriado no combate a mosquitos vetores de doenças

       O acúmulo e gestão inadequada de resíduos sólidos, materiais provenientes de atividades humanas, muitos dos quais poderiam ser reciclados ou reutilizados, é um problema comum nas cidades, que pode ser observado no entorno das nossas casas, bairros, espaços de lazer, entre outros. Esses objetos descartados acumulam água e são possíveis criadouros de mosquitos. Assim, representam um problema de saúde pública por atrair mosquitos vetores de doenças, que depositam seus ovos próximos à superfície da água que fica armazenada nos objetos. As larvas aquáticas originam insetos adultos, que podem transmitir diversas doenças, como a dengue, a chikungunya, a febre amarela urbana, Zika, entre outras.

       Nesse plano de aula, propomos uma metodologia que apoia o desenvolvimento de pesquisa sobre a incidência de criadouros de mosquitos em espaços utilizados pelas crianças, como suas casas, os pátios das escolas, ou o entorno das mesmas. A partir de uma atividade realizada em grupos e na própria escola, as crianças poderão coletar e identificar distintos tipos de resíduos sólidos produzidos que podem representar potenciais criadouros de mosquitos, além de analisar criadouros já existentes usando o aplicativo Globe Observer Mosquito Habitat Mapper.

Objetivos:

1) Promover, através da utilização do “ciclo de indagações”, o desenvolvimento de pesquisa relacionada ao descarte de resíduos;

2) Fomentar a compreensão de problemas atuais da sociedade através da problematização, e realização de pesquisa em Ciências;

3) Promover o conhecimento da relação entre descarte de resíduos e incidência de doenças transmitidas por mosquitos e causadas por microrganismos;

4) Apoiar o desenvolvimento de iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade.

5) Elaborar ações de ‘agir localmente pensando globalmente’, implementando junto à comunidade escolar medidas de prevenção a doenças transmitidas por mosquitos.

6) Esclarecer à comunidade escolar a importância de apoiar e participar de atividades de Ciência Cidadã para o desenvolvimento de uma comunidade viva e em constante vigilância no combate de doenças e conservação do meio ambiente.

Anos a serem trabalhados (Ensino Fundamental II): 6°- 9° ano

Habilidades da BNCC trabalhadas

Habilidades da BNCC

(EF06CI04) Avaliação de impactos socioambientais do descarte de resíduos

EF07CI08) Avaliação da incidências de criadouros sobre a ocorrência de mosquitos vetores

(EF07CI09) Entendimento sobre a incidência de doenças de veiculação hídrica.

(EF07CI11) Utilização da tecnologia digital para avaliar indicadores ambientais e de qualidade de vida.

(EF08CI16) Discutir iniciativas que contribuam para restabelecer o equilíbrio ambiental.

(EF09CI13) Proposição de iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade.

Ano

6

7

8

9

Tempo sugerido: 1 hora e 20 minutos, ou 2 aulas (de preferência sequenciais).

Materiais necessários

Os materiais a seguir são pensados para a realização de atividades em grupos de 03-04 estudantes. Assim, cada grupo precisará de:

  • 01 Lápis grafite;

  • Lápis de cor nas cores vermelho, azul, amarelo, verde e marrom;

  • 01 Prancheta;

  • 01 Saco de lixo;

  • Tabela do lixo (disponível para impressão no final desse plano de aula);

  • Dispositivo celular com o aplicativo GLOBE Observer instalado (não é necessário que todos os grupos tenham um celular, como poderão entender mais adiante no item Orientações);

  • 01 Apito (apenas para a pessoa que estiver coordenando a atividade).

Materiais de consulta

  • Missão Mosquito do GLOBE guia das doenças dos mosquitos;

  • Guia Conheça seus mosquitos - GLOBE observer;

  • Protocolo do mosquito da Hidrosfera do GLOBE.

Orientações

Para a realização desta atividade é ideal que exista uma discussão prévia acerca do tema  “combate às doenças transmitidas por mosquitos” e da importância do descarte correto para evitar doenças.

Para esse propósito a leitura do histórico, das  partes 2 e 4 da "     Missão Mosquito do GLOBE guia das doenças dos mosquitos” é de extrema importância, além da leitura do material guia de identificação  de mosquitos” - GLOBE Observer.

Também é importante que o professor leia o “Protocolo do mosquito da Hidrosfera” do GLOBE, mais precisamente as páginas 7, 8 e 12 (contextualização); 25 a 27 (segurança e escolha de locais); 30 a 32 (procedimentos) e 45 a 52 (como utilizar o aplicativo), para entender o funcionamento e a importância da utilização do  aplicativo. O professor deve explicar aos alunos como funciona o registro de observações sobre habitats de mosquitos no aplicativo Globe Observer, protocolo Mosquito Habitat Mapper, assim como o porquê é importante a coleta dessas informações.

Durante a atividade, quando for registrar as observações pelo aplicativo GLOBE Observer Mosquito Habitat Mapper, o ideal é que cada grupo de alunos tenha um celular com acesso à internet para poder fotografar o local de coleta e enviar os dados para o aplicativo online. Porém, sabemos que isso não é possível na maioria das escolas. Sendo assim, o registro pode ser feito em um celular que tenha o aplicativo instalado, mesmo em modo offline, e os dados podem ser armazenados e enviados quando o celular estiver com acesso à internet. O próprio celular do professor, ou de algum aluno que possa disponibilizar, pode ser utilizado nessa tarefa. Apenas o grupo deve previamente acordar em como será a utilização do(s) aparelho(s) para não ocasionar conflitos.

Essa atividade é baseada na execução completa de um Ciclo de Indagações sobre o descarte de resíduos sólidos na escola. O Ciclo de Indagações permite trabalhar o método científico com as crianças de uma forma lógica e divertida. Para a execução da pesquisa na escola utilizando a metodologia do Ciclo de Indagações, o professor ou professora pode separar os alunos em grupos de 3-4 alunos idealmente. Em cada grupo, os alunos podem ter funções, por exemplo, uma pessoa anota os dados, outra coleta resíduos, outra investiga os locais, outra pessoa tira fotos. Essas funções podem ser trocadas ao longo da atividade.

Nesse Ciclo de Indagações, é o professor ou a professora que fornecerá as perguntas iniciais. É importante que os alunos já estejam divididos em grupos nesse momento, ou que saibam que a atividade será realizada em grupos menores. Exemplos de perguntas que podem ser utilizadas para estimular o interesse dos estudantes sobre o descarte de resíduos e a importância para a proliferação de mosquitos são:

“Em qual espaço da escola vocês acham que encontrarão mais resíduos sólidos? Por que?”

“Onde haverá mais criadouros de mosquitos (recipientes que contenham água no momento da atividade)? Por que?”

“Qual será o método mais adequado para poder comparar a quantidade de lixo ou criadouros existentes em cada local?

“Como vocês propõem coletar esses dados e que dados devem ser coletados?”

A partir desse debate inicial com os alunos, alguns pontos devem ter ficado definidos: 1) onde serão realizadas as coletas (ex: pátio, horta e sala de aula); 2) como serão realizadas as coletas; 3) que dados devem ser coletados. Caso esses pontos não possam ser esclarecidos durante a discussão, o professor pode definir a metodologia.

Antes de saírem para a coleta, cada grupo de estudantes deve receber o material para anotação, saco de lixo para coleta, e “testar” o aplicativo Globe Observer em sala de aula. Aconselha-se que os estudantes visitem os mesmos espaços em grupos, ou se dividam em distintos grupos e espaços conforme a possibilidade da escola.

Em cada espaço de coleta, os estudantes devem:

1) anotar na “Tabela do Lixo” a seguir o que foi coletado em cada espaço, dividido por tipo de lixo;

2) coletar o resíduos e descartar em um saco de lixo;

3) identificar possíveis focos de proliferação de mosquitos, ou seja, recipientes descartados que contenham água parada;

4) registrar essas observações utilizando o aplicativo Globe Observer, protocolo Mosquito Habitat Mapper.

Faça acordos prévios com os estudantes sobre o tempo que será utilizado em cada espaço e a duração da atividade. Pode fazer uso do apito para indicar quando as atividades devem ser finalizadas. A seguir está um exemplo de como preencher a “tabela do lixo”.

Tabela XX: Exemplo de preenchimento de uma “Tabela do Lixo”, que está disponível para impressão na última página deste plano de aula. Os quadrados coloridos podem ser pintados pelos estudantes antes da atividade, com as cores dos resíduos recicláveis ou orgânicos encontrados: vermelho para plástico, azul para papel, amarelo para metal, verde para vidro, e marrom para orgânico. Cada risco representa uma observação.

Tabelaxx.png

Após a atividade, o professor ou professora deve reunir os estudantes em sala de aula ou outro espaço para discutir os resultados da coleta. Aqui os estudantes poderão identificar se o que encontraram na coleta condiz com o que esperavam (premissas). Algumas perguntas utilizadas anteriormente podem apoiar a discussão:

“Em qual espaço da escola vocês acham que encontrarão mais resíduos sólidos? Por que?”

“Onde haverá mais criadouros de mosquitos (recipientes que contenham água no momento da atividade)? Por que?”

Ainda, o professor pode introduzir outras para estimular a visão crítica dos estudantes sobre a atividade:

“A metodologia que utilizaram foi suficiente para responder às perguntas de pesquisa? O que modificaria e por que?”

“Como podemos analisar os resultados para a turma toda?”

Essas perguntas devem servir para estimular os alunos a pensar nas fases de Ação e Reflexão do Ciclo de Indagações. Em Ação, visualizam os resultados em tabelas ou gráficos, e em Reflexão, pensam em novas perguntas, novos locais e metodologias que podem ser explorados, e novos ciclos de pesquisa ou indagações.

A apresentação dos resultados pode ser feita como tabela, unificando os dados de todos os estudantes, como no exemplo a seguir:

exemplo.png

Ou em forma de gráfico, como no histograma a seguir:

histograma.png

Figura 2.  Lixo seco coletado por tipo de material e ocorrência de criadouros em três locais da escola.

Depois disso, o professor pode conversar com os alunos sobre os tipos de resíduos que foram encontrados mais frequentemente, onde foram encontrados criadouros, e trabalhar com os estudantes em campanhas ou medidas que possam auxiliar a diminuir a ocorrência de criadouros de mosquitos na escola.

Os resultados podem ser apresentados em feiras de Ciências da escola, e trabalhados por estudantes de diversos anos do Ensino Fundamental II. Além disso, os estudantes podem construir apresentações para mostrar seus resultados, como pôsteres que podem ser trabalhados na aula de Ciências, e/ou na aula de Português. O professor ou professora de Matemática também pode auxiliar os alunos a visualizar os resultados da atividade e pensar em formas de apresentá-los.

Outros locais além da escola também podem ser trabalhados. A mesma atividade pode ser pensada no bairro, na região ao redor da escola, ou para que os estudantes realizem coletas em suas casas.

Passo a Passo

  1. Leitura das orientações e repasse das instruções sobre a temática de estudo aos estudantes;

  2. Repasse das instruções sobre a atividade, seu funcionamento, de acordo com as perguntas norteadoras iniciais propostas nas orientações;

  3. Divisão da turma para realização da atividade, em grupos de 3 a 4 pessoas, e divisão de tarefas entre os membros de cada grupo;

  4. Distribuição dos materiais por grupo e repasse de instruções sobre os tempo disponível para a atividade;

  5. Antes de efetuar a saída, é preciso efetuar o teste do aplicativo GLOBE Observer com os alunos, utilizando a ferramenta Mosquito Habitat Mapper e explicar como será a utilização dele durante a atividade, no caso de que não exista um celular com o aplicativo instalado por grupo;

  6. Início da atividade: preparativos feitos, e tempo de permanência por área de coleta estabelecido, soe um apito para indicar o começo da atividade;

  7. Depois de realizada a coleta e efetuados os devidos registros, soe o apito sinalizando o término da atividade;

  8. Realizar a contagem dos materiais coletados por grupo, e indicar a equipe vencedora (ganhará aquela que tiver coletado mais);

  9. Analisar e discutir os resultados da coleta de dados em sala de aula ou outro local tranquilo;

  10. A atividade pode ser finalizada no item 9, mas também pode incluir atividades posteriores, como apresentação dos resultados em um pequeno evento com uma feira de ciências, formulação de novas perguntas de pesquisa, realização da atividade em outros locais, entre outros.

Referências:

Burck, E. (2019). Beyond the Bite: GLOBE Mission Mosquito Disease Guide. Disponível em: <https://strategies.org/products/beyond-the-bite>. Acesso em: 25 de jul. de 2021.

BOGER, Rebecca; LOW Russanne. Hydrosphere: Mosquito Protocol. The Globe Program, 2018. Disponível em: <https://www.globe.gov/>. Acesso em: 26 de jul. de 2021.

Arango N., M. E. Chaves y P. Feinsinger (2009). Principios y Práctica de la Enseñanza de Ecología en el Patio de la Escuela. Instituto de Ecología y Biodiversidad - Fundación Senda Darwin, Santiago, Chile. 136 p.  Disponível em: <http://www.difuciencia.cl/wp-content/uploads/2020/08/Ensenanza_de_la_ecologia_en_la_escuela.pdf>. Acesso em: 26 de jul de 2021.

BIBLIOTECA de recursos de hábitat de mosquitos. Globe Observer, s.d. Disponível em: <https://observer.globe.gov/do-globe-observer/mosquito-habitats/resource-library>. Acesso em: 25 de jul de 2021.

tabelalixo.png
Sala de aula

Plano de aula 2
Conhecendo o ciclo de vida dos mosquitos e construindo armadilhas

Mosquitos são insetos comuns que ocorrem em muitos ecossistemas ao redor do mundo, particularmente nas regiões tropicais e subtropicais. São fontes de alimento para muitas espécies de animais como peixes, aves, anfíbios e répteis em diferentes ecossistemas. Existem mais de 40 gêneros de mosquitos e mais de 3500 espécies conhecidas. Alguns mosquitos são polinizadores e por isso essenciais para o fornecimento de serviços ecossistêmicos de polinização e produção de frutos, e consequentemente para garantir a segurança alimentar. No entanto, algumas espécies de mosquitos de três gêneros, Anopheles, Aedes e Culex, transmitem doenças que afetam pessoas, incluindo malária, chikungunya, dengue, Zika, febre amarela urbana, entre outras. Mais de cinco milhões de pessoas morrem a cada ano de doenças transmitidas por mosquitos.

Neste plano de aula, propomos uma metodologia que apoia o desenvolvimento de pesquisas sobre a incidência de mosquitos, a partir da coleta de larvas em armadilhas, em espaços utilizados pelas crianças, como suas casas, os pátios ou o entorno das escolas. A partir de uma atividade realizada em grupos e na própria escola, as crianças poderão conhecer e entender melhor os gêneros de mosquitos vetores de doenças, além de observar e identificar suas larvas e seu ciclo de vida por meio da utilização de armadilhas (ovitrampas) e utilizando o aplicativo Globe Observer Mosquito Habitat Mapper.

Objetivos:

1) Promover, através da utilização do “ciclo de indagações”, o desenvolvimento de pesquisa relacionada ao monitoramento de criadouros de mosquitos;

2) Fomentar a compreensão de problemas atuais da sociedade através da problematização, e realização de pesquisa em Ciências;

3) Promover o conhecimento do ciclo de vida de mosquitos vetores de doenças e fomentar estratégias de investigação e controle de suas populações;

4) Contribuir para a para melhoria da saúde nas comunidades e bairros;

5) Apoiar o desenvolvimento de iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade;

6) Elaborar ações de ‘agir localmente pensando globalmente’, implementando junto à comunidade escolar medidas de prevenção a doenças transmitidas por mosquitos;

7) Esclarecer à comunidade escolar a importância de apoiar e participar de atividades de Ciência Cidadã para o desenvolvimento de uma comunidade viva e em constante vigilância no combate de doenças e conservação do meio ambiente.

Anos a serem trabalhados (Ensino Fundamental II): 6°- 9° ano

Habilidades da BNCC trabalhadas

Habilidades da BNCC

(EF06CI06) identificar a organização de diferentes seres vivos.

(EF07CI07) Caracterizar os principais ecossistemas brasileiros quanto à paisagem, à quantidade de água, ao tipo de solo, à disponibilidade de luz solar, à temperatura etc., correlacionando essas características à flora e fauna específicas.

(EF07CI08) Avaliar como os impactos provocados por catástrofes naturais ou mudanças nos componentes físicos, biológicos ou sociais de um ecossistema afetam suas populações, podendo ameaçar ou provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração etc.

(EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de políticas públicas destinadas à saúde.

(EF07CI11) Analisar historicamente o uso da tecnologia, incluindo a digital, nas diferentes dimensões da vida humana, considerando indicadores ambientais e de qualidade de vida.

(EF08CI07) Comparar diferentes processos reprodutivos em plantas e animais em relação aos mecanismos adaptativos e evolutivos.

(EF08CI16) Discutir iniciativas que contribuam para restabelecer o equilíbrio ambiental a partir da identificação de alterações climáticas regionais e globais provocadas pela intervenção humana.

EF09CI13) Proposição de iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade.

Ano

6

7

8

9

Tempo sugerido: 2 horas e 40 minutos, ou 4 aulas de preferência não contínuas, para permitir a análise das armadilhas ao longo do tempo.

Materiais necessários (Por grupo)

  • 01 Folha de coleta de dados  das larvas de mosquitos

  • 01 Folha sulfite

  • 01 Lápis grafite                                                                            

  • 01 Garrafa pet (com seu lacre)

  • 01 Lixa

  • Arroz ou ração de peixe ou gato

  • Água

  • 01 Fita isolante

  • 01 Tesoura

  • 01 Tule

  • Dispositivo celular com o aplicativo GLOBE Observer instalado (não é necessário que todos os grupos tenham um celular, como poderão entender mais adiante no item Orientações)

Materiais de consulta

  • Guia armadilha de mosquito + fio condutor

  • Protocolo de larva de mosquito

  • Missão Mosquito do GLOBE guia das doenças dos mosquitos

  • Vídeo para a construção da armadilha

  • Protocolo do mosquito da Hidrosfera do GLOBE

 

Para a realização desta atividade, é importante que o professor ou professora faça uma introdução sobre o Programa Globe de Ciência Cidadã e o aplicativo Globe Observer, protocolo Mosquito Habitat Mapper, e seu uso, para possibilitar a observação, identificação, e desenvolvimento das larvas de mosquitos dos gêneros Anopheles, Aedes e Culex. Além disso, é importante que outras temáticas, essenciais para a compreensão do experimento, sejam previamente abordadas. São elas: ciclo de vida dos três gêneros de mosquitos, e importância da utilização de armadilhas para controle do número de mosquitos e incidência de doenças. Finalmente os alunos devem receber instruções sobre a montagem de armadilhas para coleta de mosquitos, e o manuseio de microscópios acoplados a celulares.

Para isso será de extrema importância a leitura do “Protocolo do Mosquito da Hidrosfera do GLOBE. Recomenda-se ainda a leitura das páginas 12-32 do material "     Missão Mosquito do GLOBE guia das doenças dos mosquitos, para o entendimento da ecologia dos mosquitos.

Essa atividade é baseada na execução completa de um Ciclo de Indagações sobre a ocorrência de mosquitos vetores de doenças que afetam os seres humanos, principalmente mosquitos do gênero Aedes, vetores que podem transmitir febre amarela, dengue, Chikungunya, e Zika. O Ciclo de Indagações permite trabalhar o método científico através do desenvolvimento de experimentos com as crianças, a partir da formulação de propostas de pesquisa a partir de perguntas elaboradas pelas crianças. Nesta atividade, as crianças utilizarão armadilhas de oviposição, ou ovitrampas, para analisar a ocorrência de mosquitos nas escolas, residências, e outros locais.

Para a execução da pesquisa na escola utilizando a metodologia do Ciclo de Indagações, o professor ou professora pode separar os alunos em grupos de 3-4 alunos idealmente. Em cada grupo, os alunos podem ter funções, por exemplo, uma pessoa anota os dados no aplicativo ou planilha para coleta de dados, outra pessoa analisa as armadilhas, outras realizam a observação das larvas de mosquitos. Essas funções podem ser trocadas ao longo da atividade, que pode durar um ou mais dias.

Para a realização desta atividade é recomendado que o professor ou professora abordem previamente, em detalhes, os ciclos de vida dos mosquitos cujas larvas serão visualizadas durante a realização dos experimentos. A Figura 3 a seguir exemplifica o ciclo de vida do Aedes aegypti, uma das espécies de mosquitos transmissores de doenças mais conhecidas, e comumente encontrada em criadouros naturais ou artificiais, e coletada nas armadilhas.

Orientações

ciclovidaaedes.jpg

Figura 3. O mosquito Aedes aegypti passa por quatro estágios em sua vida: ovo, larva, pupa e mosquito adulto. O tempo para o ovo se tornar adulto depende das condições do ambiente, como temperatura e disponibilidade de recursos. O ciclo de vida pode se completar de quatro dias até mais de um mês, dependendo das condições ambientais. A maturação tipicamente ocorre por volta de 8 a 12 dias em latitudes medianas. (Burck, 2019) - Além da Picada

As armadilhas de oviposição, ou ovitrampas, simulam ambientes ideais para a deposição de ovos de mosquitos, para possibilitar a coleta e identificação de larvas de mosquitos que potencialmente transmitem doenças aos humanos. A utilização de ovitrampas auxilia a visualizar e compreender as fases dos ciclos de vida de mosquitos, e permite a elaboração de pesquisas para entender melhor a ecologia dos mosquitos, e a transmissão de doenças. Os materiais de apoio a seguir auxiliarão na execução da atividade: o Guia “armadilha de mosquito + fio condutor” e o  vídeo trazem instruções para a construção dessas armadilhas, enquanto o Protocolo de larva de mosquito para ser usado no desenvolvimento das atividades.

A armadilha deverá ser previamente preparada pelo professor ou professora encarregada da atividade. A montagem prévia é importante para que os alunos possam visualizar a armadilha completa. Posteriormente, a armadilha montada pode ser apresentada aos alunos, para que com seu auxílio cada grupo de estudantes possa realizar a montagem de sua própria armadilha. Idealmente, cada grupo deve montar sua própria armadilha, para que elas possam ser utilizadas em experimentos elaborados pelos estudantes para responder às suas indagações ou a perguntas científicas elaboradas por eles.

 

No momento da montagem das armadilhas, é importante enfatizar as medidas de segurança envolvidas no processo e no monitoramento dos experimentos, para que as armadilhas não se tornem possíveis focos de proliferação de mosquitos, representando riscos aos estudantes e ao entorno onde forem instaladas.

Assim como no plano de aula sobre descarte de resíduos, nesta atividade quando for registrar as observações pelo aplicativo GLOBE Observer Mosquito Habitat Mapper, o ideal é que cada grupo de alunos tenha um celular com acesso à internet para poder fotografar a armadilha e enviar os dados para o aplicativo online. Porém, sabemos que isso não é possível na maioria das escolas. Sendo assim, o registro pode ser feito em um celular que tenha o aplicativo instalado, mesmo em modo offline, e os dados podem ser armazenados e enviados quando o celular estiver com acesso à internet. O próprio celular do professor, ou de algum aluno que possa disponibilizar, pode ser utilizado nessa tarefa. O grupo deve previamente acordar em como será a utilização do(s) aparelho(s) para não ocasionar conflitos.

Ao contrário do plano de aula anterior, neste plano de aula é interessante que os próprios estudantes que participam da atividade exponham suas indagações, e proponham perguntas que possam ser investigadas utilizando armadilhas. Por isso, é fundamental que a atividade seja realizada primeiramente na escola, para garantir sua compreensão e acompanhamento adequado por parte de professores e estudantes. As ovitrampas podem, dessa forma, ser espalhadas pelas diversas áreas da escola, seguindo um protocolo experimental desenvolvido pelos estudantes com auxílio do professor.

O professor pode utilizar algumas perguntas para nortear a discussão sobre a influência das condições ambientais na ocorrência de mosquitos na escola, como por exemplo:

“Que fatores influenciarão o número de larvas que coletaremos em cada armadilha?”

“Onde vocês acham que haverá maior número de larvas nas armadilhas? Por que?”

“Como acham que devemos distribuir as armadilhas na escola?”

A partir desse debate inicial com os alunos, os estudantes deverão ser capazes de indagar sobre algumas questões, como por exemplo quais seriam as condições ambientais que levam a uma maior ocorrência de mosquitos, ou como devem dispor as armadilhas na escola para investigá-lo. O professor pode também, nesse momento, realizar uma saída de campo pela escola para identificar os melhores locais para colocar as armadilhas, elaborar perguntas e hipóteses. O guia “Armadilha de mosquito + fio condutor” pode ser utilizado para apoiar o processo e a discussão.

Após essa conversa, é importante que alguns pontos fiquem definidos com os estudantes, para possibilitar a realização do experimento na escola. Principalmente, é importante definir qual pergunta de investigação que os alunos querem responder (pergunta de pesquisa), o que acham que encontrarão (hipótese), e como farão a coleta de dados para respondê-la (métodos). A hipótese deve ser testável através da utilização da metodologia proposta. Em relação aos métodos, deve ser definido 1) onde serão colocadas as armadilhas (ex:lugares escuros, claros, altos, baixos); 2) como serão realizadas as observações; 3) que dados devem ser coletados. Caso esses pontos não possam ser esclarecidos durante a discussão, o professor pode definir a metodologia.

Algumas perguntas de pesquisa que podem ser trabalhadas são:

Armadilhas colocadas em locais mais escuros apresentarão mais larvas que armadilhas colocadas em locais mais claros?

Que alimento atrai mais os mosquitos?

A presença de criadouros artificiais no entorno afeta o número de larvas encontradas nas armadilhas?

Distintas espécies de mosquitos possuem distintas preferências de ambientes para oviposição?

Exemplos de experimentos realizados podem ser encontrados aqui:

PROJETO  WORKSHOPS COMBATE ÀS 3DS INES MAUAD.pdf

https://drive.google.com/file/d/1uUIZVWm02Yfp6w_BD8Gkh_GrHTxQL3N4/view?usp=sharing

ATENÇÂO: Os alunos devem ser instruídos que as armadilhas, após instaladas, não devem ser retiradas do local de coleta de dados até o fim do experimento. Ainda, é importante que do início ao fim do experimento elas sejam manipuladas o mínimo possível, de preferência apenas para registrar a presença de larvas de mosquitos, ou outras fases de seus ciclos de vida. Nesse sentido, para estimular o interesse e responsabilidade dos alunos, o professor pode propor que as armadilhas sejam “etiquetadas”, como exemplificado a seguir:

etiquet.png

Durante a atividade deverá ser realizada a observação periódica das armadilhas, de dois em dois dias até completar 2 semanas, ou 14 dias. Nesse período, idealmente os alunos poderão observar todas as fases dos ciclos de vida dos mosquitos presentes no local de coleta. O período de observação pode ser um pouco mais curto, porém preferencialmente superior a 10 dias. O intervalo entre observações também pode variar, porém é importante que os alunos consigam verificar suas armadilhas pelo menos a cada dois dias.

Durante esse período os alunos observarão o ciclo de vida dos mosquitos e deverão realizar registros com o aplicativo GLOBE - Mosquito Habitat Mapper, além de anotarem outros dados que considerem interessantes, como suas percepções sobre quais armadilhas apresentaram maior quantidade de larvas, e informações sobre os locais onde isso ocorreu.

Lembre-se de anotar o “dado zero'' de cada fase do ciclo de vida dos mosquitos. Esse dado corresponde à data na qual o estágio de desenvolvimento do mosquito. Além disso, essa informação é útil para o controle de mosquitos, uma vez que indica quando os mosquitos adultos começaram a aparecer na sua escola e entorno, e oferece um indicativo da duração dos ciclos de vida dos possíveis vetores.

Para auxiliar na identificação do “dado zero” de cada fase do ciclo de vida dos mosquitos, o professor pode usar a tabela a seguir, que deve ser preenchida por grupo:

tabeladadozero.png

Os registros das observações dos alunos podem ser feitos utilizando o aplicativo Globe Observer, ferramenta Mosquito Habitat Mapper. O professor pode estabelecer com os alunos quando os dados serão registrados no aplicativo. Sugere-se a realização do registro nos dias referentes aos “dados zero” de cada estágio do ciclo de vida dos insetos, conforme tabela acima, e ao fim do experimento.

Em relação à utilização do aplicativo Globe Observer, é interessante que os alunos possam realizar a identificação das larvas de mosquitos, para que possam mais facilmente responder às suas perguntas de pesquisa em relação às ocorrências de distintos gêneros de mosquitos vetores no local de coleta. Por essa razão, uma alternativa é finalizar o experimento com as armadilhas enquanto ainda podem ser observadas diversas larvas nas armadilhas. A tabela ao fim dessa atividade pode auxiliar no registro dos dados pelos alunos. Pode ser impressa e distribuída nos grupos. O ideal é que cada armadilha seja acompanhada utilizando uma tabela como essa. Consulte as páginas 33 e 34 do Protocolo Mosquito - Hidrosfera para auxílio na identificação das larvas. Anotem os resultados observados, para que posteriormente os alunos possam montar gráficos ou tabelas com os resultados obtidos.

Lembre-se de pedir aos alunos que recolham e levem as armadilhas à sala de aula ao final do experimento, para realizar as últimas observações e discutir os resultados.

Após a atividade, o professor ou professora deve reunir os estudantes em sala de aula ou outro espaço para discutir os resultados da coleta. Aqui os estudantes poderão identificar se o que observaram durante a atividade condiz com o que esperavam (premissas). Algumas perguntas utilizadas anteriormente podem apoiar a discussão:

“Que fatores influenciaram o número de larvas que coletamos em cada armadilha?”

“Onde vocês acham que haverá maior número de larvas nas armadilhas? Por que?”

“Como acham que devemos distribuir as armadilhas na escola?”

Essas perguntas devem servir para estimular os alunos a pensar nas fases de Ação e Reflexão do Ciclo de Indagações. Em Ação, visualizam os resultados em tabelas ou gráficos, e em Reflexão, pensam em novas perguntas, novos locais e metodologias que podem ser explorados, e novos ciclos de pesquisa ou indagações.

Os resultados podem ser apresentados em feiras de Ciências da escola, e trabalhados por estudantes de diversos anos do Ensino Fundamental II. Além disso, os estudantes podem construir apresentações para mostrar seus resultados, como pôsteres que podem ser trabalhados na aula de Ciências, e/ou na aula de Português. O professor ou professora de Matemática também pode auxiliar os alunos a visualizar os resultados da atividade e pensar em formas de apresentá-los.

Outros locais além da escola também podem ser trabalhados. A mesma atividade pode ser pensada no bairro, na região ao redor da escola, ou para que os estudantes realizem coletas em suas casas.

Na impossibilidade de utilizar a internet ou na ausência de dispositivos celulares para realizar a atividade, pode ser utilizada também uma Folha de coleta de dados  das larvas de mosquitos.

 

Passo a Passo

  1. Leitura das orientações e repasse das instruções sobre a temática de estudo aos estudantes;

  2. Discutir com os alunos a importância de compreender os ciclos de vida e ecologia de mosquitos vetores de doenças que afetam os seres humanos;

  3. Enfatizar a importância da utilização de armadilhas para análise das populações de mosquitos;

  4. Repasse das instruções sobre a atividade, seu funcionamento, de acordo com as perguntas norteadoras iniciais propostas nas orientações;

  5. Montar uma armadilha de mosquito, com o auxílio dos materiais de consulta ofertados;

  6. Em sala de aula divida seus alunos em grupos de até 4 pessoas e oriente-os na montagem de armadilhas com base na sua (uma por grupo de preferência);

  7. Distribuição dos materiais por grupo e repasse de instruções;

  8. Antes de efetuar a saída, é preciso efetuar o teste do aplicativo GLOBE Observer com os alunos, utilizando a ferramenta Mosquito Habitat Mapper e explicar como será a utilização dele durante a atividade, no caso de que não exista um celular com o aplicativo instalado por grupo;

  9. Realize a saída de campo na própria escola para encontrar o local ideal para colocá-las;

  10. Periodicamente a cada 2 dias realiza visitas com seus alunos aos locais onde distribuíram as armadilhas e registre o que observarem através do aplicativo GLOBE – Mosquito Habitat Mapper. Utilizem também as tabelas presentes neste material para facilitar a coleta de dados;

  11. Analisar e discutir os resultados observados em sala de aula;

  12. A atividade pode ser finalizada no item 10, mas também pode incluir atividades posteriores, como apresentação dos resultados em um pequeno evento com uma feira de ciências, formulação de novas perguntas de pesquisa, realização da atividade em outros locais, entre outros.

tabelaauxilio.png

Referências:

Burck, E. (2019). Beyond the Bite: GLOBE Mission Mosquito Disease Guide. Disponível em: <https://strategies.org/products/beyond-the-bite>. Acesso em: 25 de jul. de 2021.

BOGER, Rebecca; LOW Russanne. Hydrosphere: Mosquito Protocol. The Globe Program, 2018. Disponível em: <https://www.globe.gov/>. Acesso em: 26 de jul. de 2021.

Arango N., M. E. Chaves y P. Feinsinger (2009). Principios y Práctica de la Enseñanza de Ecología en el Patio de la Escuela. Instituto de Ecología y Biodiversidad - Fundación Senda Darwin, Santiago, Chile. 136 p.  Disponível em: <http://www.difuciencia.cl/wp-content/uploads/2020/08/Ensenanza_de_la_ecologia_en_la_escuela.pdf>. Acesso em: 26 de jul de 2021.