Incidência de Aedes aegypti e Aedes albopicutus em áreas verdes urbanas.

Atualizado: Out 13

POR HENRIQUE RUBINO


Introdução


Dengue, febre amarela, chikungunya e zika são arboviroses (doenças transmitidas por alguns artrópodes, como, aracnídeos e insetos) que ocorrem no Brasil.

Nos últimos anos, a importância dessas doenças no país tem se tornado clara devido

ao número crescente de casos de dengue, surtos recentes de febre amarela e o surgimento da chikungunya e zika.

Estudos realizados nos parques urbanos de São Paulo indicam a presença de Aedes aegypti e Aedes albopictus, sugerindo que essas áreas verdes são potenciais habitats para a manutenção das populações de mosquitos. Conhecer as características dos ambientes onde os mosquitos ocorrem nos parques urbanos pode orientar o controle e atividades de vigilância da população desses mosquitos.

Para saber um pouco mais sobre o tema, nesse texto nós revisamos um estudo científico que investigou como a presença e distribuição dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, vetores de diversas arboviroses, variava de acordo com a temperatura e precipitação, durante a primavera de 2014 e de 2015 e outono de 2015 e de 2016, no Parque Municipal do Piqueri, em São Paulo.


O estudo foi realizado nas estações da primavera e do outono, de temperaturas moderadas, para assim garantir a coleta adequada de dados para as duas espécies. Isso porque as temperaturas mais altas no verão favorecem a reprodução e, portanto, presença de Aedes aegypti, enquanto as temperaturas mais baixas no inverno podem favorecer a presença de Aedes albopictus.


Armadilhas


Para estudar a distribuição de Aedes aegypti e Aedes Albopictus no parque durante os períodos do ano os pesquisadores utilizaram armadilhas de ovoposição, ou ovitraps. Essas armadilhas permitem estimar a quantidade de mosquitos de cada espécie em um determinado local, através da quantidade de ovos encontrada nas armadilhas.

Essas armadilhas são recipientes que contém água e mais alguma substância, que servem como “criadouros” para as fêmeas dos mosquitos, impedindo que seus ovos depositados e depois desenvolvidos em mosquitos adultos saiam.

As armadilhas foram colocadas em três áreas dentro do parque. Cada área foi escolhida considerando sua cobertura vegetal, que é uma medida da quantidade e tipo de árvores e outras plantas que ocorrem em um local, e sua distância da região habitada por humanos. Isso é importante para que os pesquisadores possam analisar a ocorrência dos mosquitos em diferentes cenários, e para com isso identificar as áreas com maior quantidade de focos de proliferação de cada mosquito.

Assim, 12 ovitraps foram instaladas em cada uma das três áreas: 1) área interna, arborizada e distante da área urbana, 2) área intermediária as outras áreas e próxima a periferia urbana, e 3) área com pouca cobertura vegetal, e perto da região urbana. As ovitraps foram instaladas a 70 m de distância uma da outra, no máximo.


Resultados


A presença dos mosquitos variou durante o ano. Essa variação foi provavelmente causada pelas mudanças de temperatura durante o ano, que afetam os ciclos de vida dos mosquitos em todos os estágios do desenvolvimento das larvas.

A maior quantidade de ovos de Aedes aegypti foi encontrada nas ovitraps da área periférica, onde há maior circulação de pessoas, durante o outono, enquanto A. albopictus esteve mais presente na primavera. Nessa estação, ovos da espécie foram observados nas armadilhas presentes nas três áreas do parque. Já no outono, seus ovos foram mais encontrados nas áreas interna e arborizada e na área intermediária do parque, áreas onde há maior quantidade de árvores e outras plantas.

Essa variação de áreas onde os mosquitos tiveram maior incidência deve-se provavelmente à preferência de habitats dos mosquitos. A. albopictus, por exemplo, geralmente se reproduz em ambientes naturais ou menos urbanizados, como áreas rurais ou periurbanas, onde se alimenta do sangue de outros animais. Já a fêmea do mosquito A. aegypti utiliza principalmente do sangue humano para conseguir nutrientes para fabricar seus ovos, sendo assim mais frequentemente encontradas dentro das casas em ambientes urbanos e suburbanos.


Conclusão


E então, os parques urbanos podem abrigar focos de proliferação de mosquitos vetores de arboviroses?


O estudo analisado mostrou que sim, podem. Porém, não devemos pensar que eles são um problema por causa disso. Pelo contrário, a biodiversidade presente nos parques urbanos pode até auxiliar no controle das populações de mosquitos. Quando os parques possuem lixeiras, e são limpos constantemente, evita-se que focos de proliferação artificiais, como copos plásticos, embalagens e outros se acumulem, reduzindo assim as chances de proliferação dos mosquitos. Atenção especial deve ser dada às áreas periféricas dos parques, onde no estudo se observou maior número de ovos e mosquitos. A presença de parques nas cidades é muito importante para nosso bem-estar e saúde. Por isso, quando for ao parque, ou praça, ou qualquer área verde, cuide dela, traga de volta seu lixo ou descarte adequadamente. A limpeza e manutenção dessas áreas é de responsabilidade de todos os usuários.


Referência:


Heinisch e Silva MR, Diaz-Quijano FA, Chiaravalloti-Neto F, Menezes Pancetti FG, Rocha Coelho R, dos Santos Andrade P, Urbinatti PR, de Almeida RMMS, de Lima-Camara TN, Seasonal and spatial distribution of Aedes aegypti and Aedes albopictus in a municipal urban park in São Paulo, SP, Brazil, Acta Tropica (2018). Disponível em: <https://doi.org/10.1016/j.actatropica.2018.09.011>. Acesso em 01 de abril de 2021.


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