Boletim epidemiológico: dados sobre o monitoramento dos casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

POR HENRIQUE RUBINO

No dia 30 de agosto de 2021, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde publicou o Boletim Epidemiológico de 2021, no qual foram apresentados os dados disponíveis entre os dias 03/01 (semana 1) e 21/08/2021 (semana 33 do Calendário Epidemiológico). O boletim compara os resultados de ocorrência das arboviroses Dengue, zika e chikungunya com os dados de 2020.

Até a semana 33, foram notificados 457.246 casos prováveis de dengue  no Brasil. Se comparado com o ano de 2020, houve uma redução de 50,9% no número de casos registrados para o mesmo período analisado. Destaca-se na região Centro-Oeste os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que apresentaram maior taxa de incidência da doença no país.

 

No gráfico a seguir, são apresentados os números dos casos prováveis de dengue no Brasil por semana epidemiológica:

VOCABULÁRIO

  • Boletim epidemiológico: Estudo da distribuição, frequência e fatores determinantes das doenças existentes em populações humanas definidas.

  • Vírus: É um agente infeccioso microscópico que usa células para se multiplicar.

  • Arboviroses: Doença causada por um vírus transmitido por artrópodes (insetos e aracnídeos).

  • Dengue: É uma doença viral, transmitida por picadas do mosquito fêmea do Aedes Aegypti, caracterizada por dores no corpo, febre, com manchas no corpo, entre outras.

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Figura 1: Curva epidêmica dos casos prováveis de dengue por semana epidemiológica de início de sintomas, Brasil, 2020 e 2021. Fonte: Sinan Online.

  • Chikungunya: É uma doença viral transmitida por mosquitos infectados com o vírus e pode causar dores musculares, dores de cabeça, náuseas, fadiga e erupções na pele;

  • Taxa de incidência: É definida como o número de casos novos de uma doença ou outra afecção de saúde, dividido pela população em risco da doença (população exposta) em um espaço geográfico durante um tempo especificado;

  • Zika: É uma doença caracterizada por manchas vermelhas, pode causar febre, dores pelo corpo e nas juntas;

  • Óbitos: É o plural de óbito. O mesmo que: decessos, definhamentos, estiolamentos, falecimentos, mortes, passamentos.

No gráfico acima (Figura 1), as barras em cinza representam o número de casos prováveis de Dengue no ano 2020, e a linha vermelha representa os dados do ano de 2021. O gráfico demonstra que até a semana 27, o número de casos prováveis de Dengue no país foi menor do que no ano anterior. Isto pode estar relacionado com o receio da população em procurar atendimento em unidades de saúde, bem como com atrasos e subnotificações, causados pela mobilização das equipes de vigilância epidemiológica estaduais para o enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus (Covid-19).

 

Sobre os dados de chikungunya , foram notificados 74.410 casos prováveis, sendo que a região Nordeste, seguida pelo Sudeste e Centro Oeste, apresentaram maiores taxas de incidência.

 

Foram notificados também 4.272 casos prováveis de zika  até a semana 31, em que a taxa de incidência foi de 2,8 casos por 100 mil habitantes. O destaque vai para os estados do Mato Grosso e Acre que apresentaram maiores taxas de incidência.

Casos graves e óbitos

 

Foram confirmados 270 casos de Dengue grave e 3.318 casos de Dengue com sinais de alarme, sendo que 188 desses casos permanecem em investigação até a data de publicação do boletim. Até o momento foram confirmados 173 óbitos por Dengue, com maior concentração nas regiões Sudeste (São Paulo), Sul (Paraná), Centro-Oeste (Goiás) e Nordeste (Ceará), (Figura 2) e outros 64 permanecem ainda em investigação.

Em relação à Chikungunya foram confirmados 8 óbitos por critério laboratorial, distribuídos nos estados de São Paulo, Sergipe, Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais. Por outro lado, não houve registro de óbitos confirmados por Zika no país.

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Figura 2: Distribuição de óbitos confirmados por dengue, por município, Brasil, SE 1 a 33/2021. Fonte: Sinan Online.

Dados laboratoriais

 

Entre as semanas epidemiológicas 1 e 33 de 2021, foram testadas 251.275 amostras para diagnóstico de Dengue. Descobriu-se que o DENV-1 foi o sorotipo predominante, detectado em 52,1% das amostras testadas no país, seguido pelo  DENV-2 com 47,9% das amostras testadas no período analisado, sendo mais encontrado nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste.

  • DENV: tipo de dengue por nível de gravidade dos sintomas, sendo 1 o mais leve e 4 o mais forte.

  • Sorotipo: classificação que a dengue recebe, neste caso, por nível de gravidade dos sintomas que as pessoas sofrem com a doença.

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Figura 3: identificação de sorotipos DENV (A), por unidade Federada, SE 1 a 33, 2021. Fonte: CGLAB.​​

Na figura 3, a cor branca representa os estados do Amapá, Roraima, Piauí, Sergipe e Alagoas onde, até o momento, não existe informação sobre identificação do sorotipo circulante de DENV. A cor creme representa os estados do Rio Grande do Sul, Rondônia e o Distrito Federal onde o predominante foi o sorotipo DENV-1, enquanto a cor amarela representa os estados do Espírito Santo e Pernambuco onde o DENV-2 foi o sorotipo predominante. A cor laranja representa os estados do Amazonas, Acre, Pará, Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e a região Centro-Oeste, onde foi possível detectar a circulação dos sorotipos DENV 1 e 2. Finalmente, a cor vermelha representa o estado da Bahia, onde houve detecção viral dos sorotipos DENV 1, 2 e 3.

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Em relação à detecção viral de Chikungunya (CHIKV) no Brasil, os estados do Amazonas, Roraima, Pará, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e as regiões Sul e Sudeste em cor verde representam os locais nos quais houve identificação do vírus causador dessa arbovirose. Já a cor branca representa as regiões onde não foi identificada a presença da arbovirose (Figura 4).​​

​Figura 4: identificação de sorotipos CHIKV (B), por unidade Federada, SE 1 a 33, 2021. Fonte: CGLAB.

No caso da Zika (ZIKV), a detecção viral foi positiva apenas nos estados do Amazonas, Roraima, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Rio de Janeiro, sendo representados pela cor azul (Figura 5).

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Figura 5: identificação de sorotipos ZIKV (C), por unidade Federada, SE 1 a 33, 2021. Fonte: CGLAB.

A fim de promover o combate e a prevenção dessas doenças, foram promovidas algumas ações, como seminários, distribuição de inseticidas nos estados, webinar para controle do Aedes aegypti, campanhas que visam ao combate do Aedes aegypti, videoconferências para apoiar a divulgação do status das ações, suporte técnico, dentre outras.

Para acessar o boletim completo basta clicar aqui:

Fonte das figuras: Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, 2021:

Disponível em: <Monitoramento dos casos de arboviroses urbanas causados por vírus transmitidos pelo mosquito Aedes (dengue, chikungunya e zika)>. Acesso em: 02 de Set de 2021.

Boletim epidemiológico 2019-2020: dados sobre o monitoramento dos casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

No dia 20 de julho de 2020, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde publicou o boletim epidemiológico de 2020, no qual apresentou um estudo dos dados disponíveis entre o dia 29 de dezembro de 2019 (semana 1 do Calendário epidemiológico) até o dia 27 de junho de 2020 (semana 26). O boletim trouxe uma comparação dos dados das arboviroses dengue, zika e chikungunya com os de 2019.

 

Até a semana 26, foram identificados 874.093 casos prováveis de dengue no Brasil. Destacam-se os estados de Acre, Bahia, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, que apresentaram valores superiores ao valor médio de incidência nos estados brasileiros.

 

No gráfico a seguir, são apresentados os números dos casos prováveis de dengue no Brasil por semana epidemiológica:

 

VOCABULÁRIO

  • Boletim epidemiológico: Estudo da distribuição, frequência e fatores determinantes das doenças existentes em populações humanas definidas.

  • Vírus: É um agente infeccioso microscópico que usa células para se multiplicar.

  • Arbovirose: Doença causada por um vírus transmitido por artrópodes (insetos e aracnídeos).

  • Dengue: É uma doença viral, transmitida por picadas do mosquito fêmea do Aedes Aegypti, caracterizada por dores no corpo, febre, com manchas no corpo, entre outras.

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Figura 1: Curva epidêmica dos casos prováveis de dengue por semana epidemiológica de início de sintomas, Brasil, 2019 e 2020. Fonte: Sisan Online.

  • Zika: É uma doença caracterizada por manchas vermelhas, pode causar febre, dores pelo corpo e nas juntas.

  • Chikungunya: É uma doença viral transmitida por mosquitos infectados com o vírus e pode causar dores musculares, dores de cabeça, náuseas, fadiga e erupções na pele.

  • Taxa de incidência: É definida como o número de casos novos de uma doença ou outra afecção de saúde, dividido pela população em risco da doença (população exposta) em um espaço geográfico durante um tempo especificado.

No gráfico acima (Figura 1), as barras em cinza representam o número de casos prováveis de dengue no ano 2019, e a linha vermelha representa os dados do ano de 2020. O gráfico demostra que até a semana 11, o número de casos prováveis de dengue no país foi maior do que no ano anterior. No entanto, a partir da SE 12 observa-se uma significativa redução dos casos prováveis comparados com o ano 2019. Isto pode estar relacionado com os atrasos e subnotificações, causados pela mobilização das equipes de vigilância epidemiológica estaduais para o enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus (Covid-19).

 

Em relação à chikungunya, foram notificados 48.316 casos prováveis, sendo que as regiões Nordeste e Sudeste apresentam as maiores taxas de incidência. Quanto aos estados, Bahia e o Espírito Santo concentraram 45,6% e 26,5% dos casos prováveis, respectivamente.

Foram notificados também 4.666 casos prováveis de zika, em que a taxa de incidência foi de 2,2 casos por 100 mil habitantes. A região Nordeste apresentou a maior taxa de incidência, com 5,1 casos por 100 mil habitantes. O destaque vai para o estado da Bahia, que concentra 45,8% dos casos. As regiões Centro-Oeste e Norte também apresentaram números significativos.

CASOS GRAVES E ÓBITOS 

 

Foram confirmados 663 casos de dengue grave e 8.066 casos de dengue com sinais de alarme, sendo que 501 desses casos permaneciam em investigação na data de publicação do Boletim. Houve também 415 óbitos por dengue, sendo que a maior concentração dos óbitos confirmados está nos estados da região Sul (Paraná), Sudeste (São Paulo) e Centro-Oeste (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso). A faixa etária acima de 60 anos concentra 58,8% dos óbitos confirmados.

  • Faixa Etária: Período de tempo que designa e limita um determinado número de anos da vida de uma pessoa ou de um grupo de pessoas.

  • Óbitos: É o plural de óbito. O mesmo que: decessos, definhamentos, estiolamentos, falecimentos, mortes, passamentos.

  • Acometidos: É o plural de acometido. O mesmo que: agredidos, atacados. Que se acometeu, que foi alvo da ação de algo.

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Na figura 2, as barras vermelhas representam o número de óbitos femininos, e as barras azuis representam o número de óbitos masculinos. Observa-se uma distribuição semelhante em ambos os sexos. Destaca-se que a taxa de letalidade por dengue foi maior a partir dos 60 anos. Nessa categoria, os mais acometidos foram aqueles com 80 anos ou mais.

Figura 2: Distribuição dos óbitos confirmados por dengue, segundo sexo e faixa etária, Brasil, SE 26 de 2020

A partir da semana epidemiológica 10 observa-se uma redução de casos confirmados de dengue grave e dos óbitos em comparação ao ano de 2019. A redução pode ser atribuída à mobilização com o enfrentamento da emergência da pandemia do Covid-19.

Em relação à chikungunya, foram confirmados 11 óbitos por critério laboratorial, distribuídos nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e Maranhão. Por outro lado, não houve registro de óbitos confirmados por Zika no país. 

  • Sorotipo: classificação que a dengue recebe, neste caso, por nível de gravidade dos sintomas que as pessoas sofrem com a doença.

  • DENV: tipo de dengue por nível de gravidade dos sintomas, sendo 1 o mais leve e 4 o mais forte.

DADOS LABORATORIAIS

Entre as Semanas Epidemiológicas 1 e 26 de 2020, foram testadas 225.302 amostras para diagnóstico de dengue. Descobriu-se que o DENV-2 foi o sorotipo predominante, detectado em 79,8% das amostras testadas no país no período analisado, sendo mais encontrado nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Norte.

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Na figura 3, a cor branca representa os estados do Amapá e Paraíba, onde até o momento, não existe informação sobre identificação do sorotipo circulante de DENV. A cor creme representa a região nordeste onde o mais predominante foi o sorotipo DENV-1, enquanto a cor amarela representa as regiões Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Norte, onde o DENV-2 foi o sorotipo predominante. A cor laranja representa os estados de Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás e Rio Grande do Sul, onde foi possível detectar a circulação de dois sorotipos o DENV 1 e 2. Finalmente, a cor vermelha representa os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, onde houve detecção viral dos sorotipos DENV 1, 2 e 4.

Figura 3: identificação de sorotipos DENV (A), por unidade Federada, SE 1 a 26, 2020.

Em relação à detecção viral de chikungunya (CHIKV) no Brasil, os estados do Amazonas, Rondônia, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás em cor verde respresentam os estados onde o vírus dessa arbovirose foi identificado (Figura 4). Por outro lado, a cor branca representa onde não foi identificada a arbovirose.

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Figura 4: identificação de sorotipos CHIKV (B), por unidade Federada, SE 1 a 26, 2020.

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Para o vírus zika (ZIKV), a detecção viral foi positiva nos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul representado pela cor azul, pelo contrário a cor branca representa onde não foi identificado a arbovirose (Figura 5).

Figura 5: identificação de sorotipos ZIKV (C), por unidade Federada, SE 1 a 26, 2020.

A fim de promover o combate e a prevenção dessas doenças, foram promovidas algumas ações, como seminários, distribuição de inseticidas nos estados, treinamentos e capacitações, campanhas que visam ao combate do Aedes aegypti, videoconferências para apoiar a divulgação do status das ações, suporte técnico, dentre outras.

Para acessar ao boletim completo, clique aqui.

Fonte das figuras: Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, 2020:  https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/July/14/Boletim-epidemiologico-SVS-28-v2.pdf