MAPEAMENTO DE HABITATS PROTOCOLO AEDES AEGYPTI

Atualizado: 16 de nov.

O Programa Institucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) surgiu em 2022, no contexto da Ciência Cidadã, onde alunos e professores da educação básica da rede pública são participantes na construção de projetos de pesquisa e na coleta de dados científicos.

Dentro deste programa foram definidos três Eixos:

  • Eixo I: Intervenção e Práticas de investigação por meio de protocolos comuns compartilhados em rede;

  • Eixo II: Formação e Ensino por projetos de investigação e iniciação à metodologia científica;

  • Eixo III: Avaliação e Divulgação - Acompanhamento e disseminação dos resultados e dos processos desencadeados pelo Programa.

A criação dos Eixos levou em consideração a interinstitucionalidade do programa envolvendo pesquisadores de oito instituições públicas de ensino médio e superior no estado do Paraná: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Instituto Federal do Paraná - Foz do Iguaçu (IFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Agência Espacial Brasileira (AEB), Fiocruz Paraná Instituto Carlos Chagas (FioCruz-PR), Secretaria de Estado da Educação (SEED-PR).

O protocolo “Mapeamento de habitats protocolo Aedes aegypti” forma parte do Eixo I, o qual corresponde à construção dos protocolos que serão desenvolvidos junto às escolas em diferentes áreas do conhecimento científico. O projeto iniciou-se com a produção de materiais didáticos adaptados à realidade das escolas públicas paranaenses, bem como vinculados com as unidades temáticas e objetivos de conhecimento presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), através da implementação de protocolos da Ciência Cidadã em sala de aula.

Para utilização do protocolo de mapeamento do habitat de mosquitos, foi criado um e-book com dois planos de aula como material de apoio para a formação de professores e alunos do Ensino Fundamental. No material, são apresentadas orientações para a coleta de dados sobre possíveis criadouros de mosquitos transmissores de doenças, como o Aedes, por meio de pesquisas realizadas em sala de aula, e da produção e utilização de armadilhas caseiras (QUADRO 1) para coleta de ovos e larvas de mosquitos (ovitrampas) (FIGURA 1).

FIGURA 1 : Armadilhas de oviposição ou ovitrampas.


QUADRO 1 - Passo a passo para montagem das armadilhas


O protocolo de coleta de dados e o e-book estão em processo de testagem. Foram distribuídos entre 25 professores bolsistas de Apoio Técnico da Rede Pública do Estado do Paraná, nas diferentes escolas dos Núcleos Regionais de Educação (Apucarana, Curitiba e RMC, Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul, Londrina, Maringá, Paranaguá e Ponta Grossa) previamente selecionados pela equipe do PICCE, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED-PR). A testagem evidenciou a necessidade de afinar as ferramentas de pesquisa e ciência cidadã às condições nas quais professores e estudantes estão expostos nas escolas públicas de educação básica no estado do Paraná.

Entre as dificuldades encontradas para utilização do material, apresentava-se a impossibilidade de utilizar o aplicativo proposto, pela ausência de celulares e conexão instável da internet. Optou-se por utilizar as fichas de coleta previamente elaboradas como alternativa para auxiliar na recopilação de dados dos locais de coleta. Porém, mesmo com as imagens obtidas, não foi possível realizar o georreferenciamento no aplicativo dos pontos coletados devido ao programa possuir as coordenadas de geolocalização em tempo real as quais, ao ultrapassar 50 metros do ponto de coleta, não permitem que sejam cadastrados os dados.

Outras limitações apresentadas pelas escolas foram em relação à estrutura das instituições de ensino. Por exemplo, houve alguma dificuldade de imprimir materiais pedagógicos. Além disso, hoube dificuldade para executar atividades fora da escola, pois não há disponibilidade de funcionários que consigam acompanhar um grupo numeroso de estudantes em uma área que não seja parte do perímetro da escola.

A fase de testagem descrita anteriormente é muito importante e enriquecedora. Ao reconhecer as particularidades das instituições onde foram avaliados o protocolo e o e-book, é possível evoluir com uma troca de novos conhecimentos, ajudando no aprimoramento do projeto, que posteriormente serão disponibilizados para professores de todo o Estado do Paraná. As metodologias inovadoras propostas podem favorecer a compreensão das práticas e procedimentos de pesquisa científica, ao oferecer dados que podem ser usados ​​como base para múltiplas investigações, que vão desde a escala local, regional e nacional, promovendo o aprendizado da ciência.


 

Por Diana Molinas e Ana Alice Eleuterio

Referências


BOGER, R; LOW, R. Hydrosphere: Mosquito Protocol. The Globe Program, 2018. Disponível em: https://www.globe.gov/; . Acesso em: 17 de jul. 2022.

DIAS, L. B; ALMEIDA, S. C; HAES, T. M., MOTA, L. M; RORIZ-FILHO, J. S. Dengue: transmissão, aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento. In: Revista de Ciência da Informação e Documentação. 43(2), 143-152, 2010.

IRWIN, A. Ciência Cidadã: Um estudo das pessoas, especialização e desenvolvimento sustentável. Coleção Epistemologia e Sociedade. Lisboa: Instituto Piaget. 1995.

RBCC. Princípios Norteadores. 2020. Disponível em: https://sites.usp.br/rbcienciacidada/principios-norteadores

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