Zika, uma velha conhecida

Histórico

Apesar da zika também ser uma arbovirose que emergiu recentemente no Brasil, sua história é mais antiga em outros lugares do mundo. O primeiro isolamento do vírus é datado de 1947, encontrado em sangue do macaco Rhesus (Macaca mulatta), que estava sendo monitorado como suspeito de portar febre amarela, na floresta Zika, em Uganda, daí a origem do nome da doença. Em 1953, foram confirmados os primeiros casos em seres humanos, durante uma epidemia na Nigéria e depois disso, a zika se disseminou pelos demais países da África e da Ásia.

A comunidade internacional reconheceu a zika como uma doença de potencial epidêmico em 2005. A partir de 2007, o vírus causou epidemias na Micronésia (Oceania) e foi se alastrando pelas ilhas do Pacífico, causando graves epidemias por onde passava. Em 2014, a zika já estava presente na América e foi reportada no Brasil desde o final desse mesmo ano, porém foi em 2015 que de fato a doença se intensificou, com os primeiros casos relatados na Bahia e em São Paulo. De acordo com o boletim epidemiológico de 2020, divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, foram notificados 4.666 casos prováveis de zika para esse período.


Transmissão

O vírus Zika, flavivírus da família Flaviviridae, é o causador dessa arbovirose. Ele é transmitido através da picada da fêmea do mosquito Aedes (Culicidae, Diptera, Insecta) infectada com o vírus, dentre as espécies capazes de transmitir o vírus, pode-se citar o A.africanus, A.apicoargenteus, A.vitattus, A.furcifer, A.luteocephalus, A.hensilli e os velhos conhecidos A.albopictus e A.aegypti, que são os principais vetores dessa e outras arboviroses na América. Há ainda, outras formas de transmissão da doença, como a transplacentária, em que a mãe infectada transmite a doença para seu feto em qualquer momento da gestação e dependendo do tempo gestacional, pode ser a forma mais grave de transmissão; a perinatal, aonde a transmissão acontece durante o parto através do líquido amniótico; a sexual, no qual o vírus foi detectado no sêmen e pode ser transmitido por relações sem proteção; e via transfusão de sangue.


Sintomas

A doença é assintomática em 80% dos casos, quando os sintomas se manifestam, incluem dores de cabeça, vermelhidão nos olhos, febre baixa, diarréia, dores leves nas articulações (que pode perdurar por até 1 mês), manchas vermelhas na pele e coceira, em alguns casos ocorre inchaço no corpo, dor de garganta e vômitos. Esses sintomas costumam desaparecer de 3 a 7 dias, mas a população de risco (gestantes) têm mais chances de desenvolverem a doença clinicamente e precisam se atentar às complicações.


Imagem 1 - Sintomas da zika.

Fonte: Modificado de https://portugues.cdc.gov/zika/about/overview.html.


Complicações

Durante um surto de zika no Brasil em 2015, aumentou o número de recém-nascidos com microcefalia na mesma época e nas mesmas áreas, o mesmo aconteceu na Polinésia Francesa, diante disso, pesquisas estão sendo realizadas para estudar se há ou não relação entre as doenças. A microcefalia é caracterizada pela malformação do cérebro do feto, que fica em um formato desigual em relação a outras crianças da mesma idade e sexo, essa doença pode também ocasionar complicações neurológicas, como malformações do sistema nervoso central e dificuldade de desenvolvimento, em alguns casos, crianças com essa condição se desenvolvem normalmente. A arbovirose não é a única condição que pode ocasionar a microcefalia, já que esta pode ser causada também por fatores genéticos, exposição a drogas, álcool e infecção por rubéola durante a gravidez.

Além da microcefalia, a zika pode estar associada também, a Síndrome de Guillain-Barré, doença caracterizada pela fraqueza muscular generalizada, perda de sensibilidade e que pode ocasionar paralisia. Embora pessoas de todas as faixas etárias e sexo possam a doença, é comumente encontrada em homens e a incidência aumenta com a idade.

É importante ressaltar que ainda busca-se comprovações sobre a real relação entre as doenças.


Tratamento e profilaxia

Não há tratamento específico para zika, os medicamentos ministrados em alguns casos são para aliviar os sintomas, recomenda-se repouso absoluto e hidratação. Também, não há vacina para prevenir a doença, dessa forma a eliminação de possíveis criadouros do mosquito se faz indispensável, e é imprescindível que façamos a nossa parte, para controlar não só a zika, mas também outras doenças transmitidas por esses mosquitos.


Referências


OLIVEIRA, Wender Antonio. Zika Vírus: histórico, epidemiologia e possibilidades no Brasil. Revista de Medicina e Saúde de Brasília, v. 6, n. 1, 2017. Disponível em: <https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rmsbr/article/view/7589/5106>. Acesso em: 26 de jan. de 2020.


PETERSEN, Lyle R. et al. Zika virus. New England Journal of Medicine, v. 374, n. 16, p. 1552-1563, 2016. Disponível em: <https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1602113>. Acesso em: 26 de jan. de 2020.


VASCONCELOS, Pedro Fernando da Costa. Doença pelo vírus Zika: um novo problema emergente nas Américas? Revista Pan-Amazônica de Saúde, v. 6, n. 2, p. 9-10, 2015. Disponível em: <http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?pid=S2176-62232015000200001&script=sci_arttext>. Acesso em: 26 de jan. de 2020.


ZIKA: sintomas, transmissão e prevenção. Fundação Oswaldo Cruz, 2020. Disponível em: <https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/zika-sintomas-transmissao-e-prevencao>. Acesso em: 26 de jan. de 2021.

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